PROIBIDO COMENTÁRIOS ANÔNIMOS

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domingo, 7 de julho de 2019

MISOGINIA OU MISANDRIA? QUAL VOCÊ PREFERE?


Imagem ilustrativa extraída da internet

Não se pode deixar passar longe dos debates atuais as questões que surgem diante de um discurso claramente pré-meditado para provocar em homens e mulheres a disputa de sentimentos que demonstrem defesa, desprezo, ódio ou favorecimento ao caráter que define as extremidades entre gêneros, mesmo que isto se relacione apenas à condição feminina X masculina. 

Nessas discussões, muito evidentes em redes sociais, fazem perceber que o discurso misógino se sobrepõe ao misândrico, uma vez que, é muito menos intenso o discurso anti-machista. Este muitas vezes é reforçado pela própria mulher, principalmente quando escutamos frases do tipo: "Ah, mas ela teve culpa", ditas por mulheres em casos de estupro. 

Mas, o que mais é absurdo é ouvir e ler certas frases sendo proferidas por membros dos poderes Executivo e Legislativo brasileiro, claro, fundamentadas em um senso comum bastante raso e sem reflexão sobre o real papel de um Chefe de Estado. Ressalto, não se trata apenas de saber que os ditados em linguagens chulas existem, mas, de repudiar a provocação e a disseminação de um ideário que estimula um comportamento vil, seja este disseminado por qualquer discurso, misógino ou misândrico. Pois bem, diante disto, trazemos aqui a definição do que seja a misoginia e a misandria. Ao leitor ou leitora, apenas o recado para que adentrem aos seus interiores e reflitam a partir da pergunta: 

Eu sou misógino (a) ou misândrico (a)? Porque sabemos que ambos existem e podem ser sentimentos e pensamentos bastante distorcidos da realidade. 

MISOGINIA -  é a repulsa, o desprezo ou ódio contra as mulheres. Uma forma de aversão patológica ao sexo feminino diretamente relacionada com a violência que é praticada contra a mulher na nossa sociedade. Um sentimento que dá origem a outros, como: mulheres:  ginecofobia, ginofobia, antifeminismo, androcentrismo. 

Este comportamento é o principal responsável por grande parte dos assassinatos de mulheres, ou seja, o feminicídio, muito em alta no Brasil. Etimologicamente, a palavra "misoginia" surgiu a partir do grego misogynia​, ou seja, a união das partículas miseó, que significa "ódio", e gyné, que se traduz para "mulher". Um indivíduo que pratica a misoginia é considerado misógino. Se o indivíduo tem comportamento contrário a este, trata-se da prática da  filoginia, que é o amor, afeto, apreço e respeito pelo sexo feminino.

CAUSAS DA MISOGINIA - a cultura social do machismo  está intrinsecamente presente em quase todas as sociedades humanas há séculos preconizando a superioridade do macho, ou seja, tentando perpetuar o patriarcado, o sexismo que deslancham juntos o preconceito e a desvalorização das mulheres. Mesmo hoje, após tantas conquistas e comprovações de que mulheres não são inferiores aos homens, ainda é possível se encontrar o desafio de se enfrentar os discursos e atitudes que revelam tais atitudes. 

MISANDRIA -  nome dado ao sentimento de raiva ou aversão praticado contra o sexo masculinoEtimologicamente, o termo "misandria" surgiu do grego misosandrosia, composto pela junção das partículas misos, que quer dizer "ódio", e andros que significa "homem". Apesar de sabermos que é um comportamento inadequado à mulher e que NÃO DEVE SER ALIMENTADO, diante da superior existência da misoginia sobre a misandria, há questionamentos, devido a importante carga histórica que carrega o preconceito sofrido pelas mulheres ao longo dos séculos. Muitos, inclusive pesquisadores acreditam que a misandria é apenas uma forma de defesa da mulher diante do comportamento misógino. 

Enquanto pessoa que defende a ideia de que as mulheres não são inferiores e de que o respeito a estas deve ser o primeiro passo para encerrar qualquer debate e discurso misógino, ressaltamos que conhecemos a importância do sexo masculino e de todos os outros gêneros na formação da sociedade. Portanto, misoginia, misandria ou mesmo a homofobia não nos compete enquanto comportamento. Acreditamos que evitar qualquer discurso referente a ambos é o caminho mais adequado. Mesmo que sejamos apenas uma pessoa comum. Ainda mais quando somos pessoas públicas, mais ainda se ocupássemos os espaços da chefia estatal. 

Por Mônica Freitas 
Conceitos consultados em: https://www.significados.com.br

sábado, 18 de maio de 2019

Bolsonaro sabe a fórmula da água? Com a palavra um professor de Química da UFBA



Eu duvido. A gente pode achar que saber a fórmula da água é repetir H.2.O. Pronto. Permita-me discordar do presidente

Saber a fórmula da água é conseguir olhar para essa representação e reconhecer que nela se encontra a partícula formadora de um recurso natural do planeta que não está disponível para todos. Tá sendo privatizado.

É reconhecer que tem H2O na lágrima da mulher preta que chora por seu filho morto.E chorar junto com ela. E não aceitar. E lutar para mudar isso.

É saber que o conjunto de moléculas de água que não chega no sertão, tem relação com a falta de políticas públicas e não com os limites naturais que nós já fizemos recuar.

Saber a fórmula da água é reconhecer que essa substância está presente na composição de uma porção de medicamentos que não chegam nos postos de saúde, por falta de uma política que valorize o SUS.

Saber a fórmula da água é saber que esse líquido corre nas nossas veias e compõe o sangue. Sangue derramado todo dia por uma galera que insiste em lutar.

Caro Bolsonaro, quem sabia, de fato, a fórmula da água estava lá para lutar. Quem não sabia, estava lutando pelo direito de saber. Lutava por uma educação que não ensina "apenas" a formula da água ou regra de três, mas a humanidade encarnada e as contradições em cada um desses conceitos

A gente sabe a fórmula da água. Mais do que você. A molécula H2O tá na saliva que a gente não consegue engolir quando gritamos: "A nossa luta unificou, é estudante junto com trabalhador".

 Eu não ensino a meus alunos a recitarem H.2.O. Eu ensino o que essa representação significa para formar a humanidade!

Texto de Hélio Messender, professor do Instituto de Química da UFBA.

sábado, 23 de fevereiro de 2019

A COMPREENSÃO MASCULINA SOBRE O FEMINISMO QUE PRECISAMOS ADOTAR



Foto do Facebook


A despeito da opinião de certa autoridade, nós temos muitas dívidas ao longo da história. Dívida para com os índios, os negros, os homossexuais, os especiais, os cadeirantes. A lista é imensa.

Mas, talvez, nossa maior dívida seja mesmo com as mulheres. Dívida alta, séria e difícil de pagar, porque só aumenta.

Nós devemos às mulheres o reconhecimento de ser parte fundamental da existência humana.

Nós devemos a elas, a desculpa bíblica de tê-las julgado como culpadas pelo pecado. 

Nós lhes devemos o direito de serem iguais como cidadãs. 

Devemos-lhes a oportunidade de fazer o que quiserem como qualquer homem pode fazer, sem serem apontadas como putas ou vagabundas ou sem vergonhas.

Nós devemos a elas o direito de gritarem seu feminismo sem serem julgadas como as donas do mi mi mi.

Devemos a elas o respeito e a reverência que merecem por serem mães, irmãs, esposas, amigas dedicadas e incansáveis, aguentando todo machismo e covardia de um sexo dito forte (e até do dito frágil também).

Nós lhes devemos as desculpas por tudo já praticado e que não deixa de ser, quando aquele político fala de uma "fraquejada", ou quando o marido espanca a "sua" esposa, ou quando o boyzinho estupra a "safada de roupa curta que estava se oferecendo".

Nós somos seus devedores por termos criado uma sociedade tão machista, que até muitas delas mesmas se acham culpadas, quando na verdade são as vítimas.

É triste que ainda hoje nos deparemos diariamente com os mais absurdos casos de humilhações, agressões e assassinatos de mulheres. E que esses casos não choquem e nem toquem os corações daqueles que não choram.

Talvez sejam justamente lágrimas que nos faltam para lavar nossas vistas e enxergarmos que somos todos Eva, Maria, Sara, Rita, Madalena, Joana, Alice, Sandra, Amanda, Marielle...



Professor Simoneto Paiva 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

MUSEU LUIZA CANTOFA: ENTRE O AQUI E O ACOLÁ



O Museu Luiza Cantofa é uma entidade cultural ligada à associação do Centro Histórico Cultural Tapuias Paiacus da Lagoa do Apodi (CHCTPLA), que prioriza como finalidade não somente o resgate histórico do poco Tapuia Paiacu de Apodi, mas a reconstrução e reelaboração da cultura deste povo pré-colombiano, presente no Território Pody, posteriormente chamado Ribeira do Apodi, quando requerida e recortada como terras a serem colonizadas na segunda metade do século XVII por Manuel Nogueira Ferreira e seus familiares enviados pela Coroa Portuguesa para fins do capitaneamento hereditário. 

O CHCTPLA é formado apenas por famílias que tenham histórico de pertencimento indígena, ou seja, famílias que relatem a ascendência (parentesco genealógico) com os primeiros habitantes de Apodi, o que garante o direito à autoafirmação disposto em diversos códigos legais, desde à Constituição Federal  e convenções internacionais, como a Convenção 169 da OIT ao Estatuto do Índio. Na convenção 169 é o artigo 1º que fundamenta o direito à auto-identificação quando diz que considerados indígenas os povos que vivem em


países independentes e descenderem de populações que viviam no país ou região geográfica na qual o país estava inserido no momento da sua conquista ou colonização ou do estabelecimento de suas fronteiras atuais e que, independente de sua condição jurídica, mantêm algumas de suas próprias instituições sociais, econômicas, culturais e políticas” (OIT, 2005, art. 1º).

É sabido por todos os apodienses que a história indígena deste município é muito forte, carregada de fatos que incluem desde conflitos pequenos a massacres mais sangrentos como o ocorrido em 1825, quando índios Tapuia Paiacu que tinham sido levados de Apodi a Portalegre se envolveram em uma revolta e por isto foram presos, posteriormente mortos em um massacre ao pé da serra, onde hoje está situado o município de Viçosa. Fato este que também contribuiu para o silêncio de algumas famílias que permaneceram em Portalegre e outras de Apodi sobre as relações de pertencimento à antiga tribo Tapuia Paiacu. De lá para cá, o medo deu margem à chamada "miscigenação" como negros e com brancos, base fundamental da formação do nosso povo. No entanto, alguns ascendentes atuais resistem em se autodeclarar pertencente ao povo Paiacu pelo fato de já conhecerem os aparatos legais que fundamentam a auto-afirmação e por terem realmente relato de histórico familiar da ascendência. 

Nesse contexto de busca pela representação étnica, fundado por Lúcia Tavaris, também de ascendência indígena e hoje liderança do povo Paiacu, o Museu Luiza Cantofa abriga peças líticas que eram guardadas pelas famílias que se agregaram ao CHCTPLA. Muitas tinham peças preservadas há séculos, passando de um membro a outro da família, hoje essas peças são parte do acervo do primeiro museu indígena do Rio Grande do Norte, que carrega o nome da índia Cantofa, uma das líderes, junto com João do Pêga da revolta ocorrida em 1825 em Portalegre. 

O referido museu, desde 2013, quando foi fundado por Lúcia Paiacu, como é conhecida, tem um  bom histórico de visitação por algumas escolas de Apodi e da região, tanto públicas quanto privadas, bem como de nível federal, estadual e municipal. As instituições de ensino superior como UFERSA, UERN, entre outras também já passaram pelo museu, que mesmo sendo uma entidade sem fins lucrativos costuma cobrar uma taxa básica para a visitação, visto a necessidade manutenção.  Entre os visitantes estão também museólogos de diversas partes do Brasil e também do exterior. 

Atualmente o museu foi desativado, as peças foram retiradas das prateleiras, pois, por não ter uma sede adequada, já que funcionava na sala da casa de Lúcia Paiacu, uma peça de imensurável valor histórico foi furtada do acervo. Esse fato contribuiu para a desativação, sendo mantido apenas a sede do CHCTPLA no mesmo endereço.  


Neste dia 23 de janeiro, terça-feira, estiveram visitando o Centro Histórico alguns museólogos e pessoas envolvidas com a organização de museológica na Itália.  Marco Tonon( museólogo) e diretor de museu da Itália, Loredana Caniglia, scienze Naturali, Graziella Perin e Guerrino Rossi (fotógrafo e corista). Eles queriam ver de perto o local que guarda a história dos primeiros povos do Sertão do Rio Grande do Norte. Além de visitar e conhecer um pouco da história que está no acervo do Museu Luiza Cantofa, os italianos quiseram saber mais sobre Apodi e foram levados por Isaac Torres que é Turismólogo colaborador do CHCTPLA e Lúcia Paiacu a fazer um City tour pela cidade passando pela Igreja Matriz, Lagoa do Apodi e Missão 1, Balneário da Lagoa e pra finalizar foram ao prédio que está sendo preparado para abrigar o Museu do Índio Luiza Cantofa, situado às margens da Lagoa do Apodi, próximo ao balneário. 


Fotos extraídas do Facebook de Lúcia Maria Tavares. 
Os italianos, assim como tantos outros visitantes do acervo indígena apodiense, entre os quais estão museólogos, professores universitários, arqueólogos e antropólogos são taxativos em afirmar a importância das peças guardadas pelo povo Paiacu. São de raridade imensurável e deveriam ter maior atenção do povo apodiense, mesmo os que não se autodeclaram ascendentes indígenas. O fato é que, mesmo já tendo escutado essas afirmações tantas vezes, o que se observa é o distanciamento dessa história da nossa sociedade. 

Há um certo desprezo pela história e esse comportamento é confirmado por algumas pessoas que com toda a sinceridade afirmam: "Essa história não interessa a ninguém, quem diz que tem interesse está sendo hipócrita". São as frases mais escutadas, às vezes lidas em comentários em redes sociais. E como comprovação desse "desleixo" estão inclusas as próprias atitudes políticas de quem ocupa o poder público. E quanto a isto não é necessário nomear ninguém, já que o histórico de abandono é de tão longo tempo que se faz inviável a identificação. Além disso, a perseguição aos que estão envolvidos na causa pela reelaboração da história, da cultura, dos costumes, que é um direito garantido na Constituição já é visível. E tudo pelos mesmo motivos de 190 anos atrás. 

Por isso, dizemos que o Museu Luiza Cantofa está entre o aqui e o acolá; o aqui da nossa história que ninguém mais pode apagar, ao ponto de Apodi ser denominada "Terras dos Tapuias Paiacus" e acolá por ser uma história com forte pressão para o esquecimento, com o apoio político e da sociedade, quando se trata de aceitar a auto-identificação dos que não negam as suas raízes. 

Por Mônica Freitas


sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

(HISTÓRIA NEGRA) QUEM FOI SARAH BAARTMAN?


Imagem extraída de
 https://www.facebook.com/desmentindoahistoriabranca/photos/rpp.570638413391972/613329192456227/?type=3&theater

TODAS AS MULHERES NEGRAS AINDA SÃO VISTAS COMO SARAH BAARTMAN.
Quem?
Também conhecida como Saartjie, Vênus Negra, Vênus Hotentote…
Nada ainda? Nunca ouviu falar? Então mesmo esqueminha de sempre, senta aí que a gente conversa.
Sarah nasceu em 1789 na região da Africa do Sul, perdeu os pais muito cedo, e aos 10 anos de idade foi trabalhar em uma fazenda holandesa fazendo serviços domésticos.
Chamou a atenção dos patrões por suas FORMAS ”INUSITADAS’’ e ‘’ANORMAIS” (percebam que nesta época a medida do mundo era dada pelo homem branco europeu, tudo que fugia disso era considerado desumano e anormal.
Quer dizer..era? Ou ainda é?
Prometeram leva-la para a Inglaterra, para se tornar uma ARTISTA que ficaria rica, e ela mesmo analfabeta SUPOSTAMENTE assinou um contrato.
Mas o que fizeram da vida breve dessa mulher foi desumano. 
Não existe outra palavra para descrever o que aconteceu. 
Ela se apresentava com uma roupa colada da cor de sua pele, fumando um cachimbo, e a história contada para o público era a de uma selvagem que foi capturada e domada.

Ela era ensaiada a emitir BARULHOS ANIMALESCOS e fingir que iria ATACAR OS BRANC’OS da platéia.
Usava uma COLEIRA e as pessoas que pagavam um dinheiro extra podiam tocar em suas nádegas avantajadas.
Sarah não queria ter que exibir seus órgãos genitais. Mas ao ser vendida para um novo ‘’dono’’ que era muito mais duro com ela, foi obrigada a se exibir totalmente nua, inclusive em festas noturnas onde HOMENS BÊBADOS se DIVERTIAM APALPANDO o seu corpo.
O racismo ”cientifico” estava em seu auge, logo o corpo de Sarah despertou interesse e curiosidade nos estudiosos da época.
Ela chegou a ser ‘ESTUDADA’ ainda em vida, era MEDIDA, CUTUCADA, APALPADA e constantemente COMPARADA com ORANGOTANGOS.
Começou a BEBER e FUMAR com muita INTENSIDADE para SUPORTAR estas apresentações TORTURANTES.
No entanto um grupo de ativistas da época ficou horrorizado com a forma como ela era tratada e iniciou um processo judicial contra os ‘empresários’ dela.
Mesmo assim Sarah os defendeu e afirmou receber metade do lucro do que eles faturavam, e mesmo que provavelmente estivesse sendo COAGIDA, o processo foi arquivado, afinal era APENAS UMA NEGRA.
Por motivos políticos, as apresentações se tornaram impossíveis, e Saartjie foi levada a se PROSTITUIR e tornou-se alcoólatra.
FALECEU aos 26 ANOS DE IDADE, (provavelmente) de sífilis.
Enfim descansou, e deixaram o corpo dela em paz né?

Claro que não!
Um naturalista fez um molde do corpo, antes de dissecá-la. Ele foi usado para definir uma fronteira entre a MULHER BRANCA ‘NORMAL’ e a MULHER AFRICANA ‘ANORMAL’.
Foram preservados o cérebro e os genitais que depois seriam expostos por muito tempo.
Até 1974 faziam parte do acervo público da França, sendo o ÓRGÃO GENITAL dela exibido ao lado do CÉREBRO de grandes homens pensadores, como Descartes.
Eu não destaquei essas duas palavras sem motivo.
Se vc já entendeu é isso mesmo! Caso contrário vou explicar:
O HOMEM BRANCO e a MULHER NEGRA seriam os DOIS EXTREMOS da humanidade, ele sendo representado pelo CÉREBRO, um ser RACIONAL, capaz de produzir o saber, e ela sendo representada pela VAGINA, um ser SEXUAL, e primitivo.
Várias tentativas foram feitas para se resgatar os restos mortais de Sarah e devolver ao continente africano para um enterro digno. 
Em 1994 o então presidente da África do Sul, Nelson Mandela mais uma vez fez o pedido ao governo francês, e somente em 2002 a solicitação foi atendida (demorou porque os caras de pau entraram na justiça para não devolver), assim 192 anos depois ela retorna ao lar, e é enterrada humanamente.

Depois de saber, que a objetificação sexual do corpo negro é histórica, que a suposta falta de aptidão intelectual das pessoas negras vem de muito longe ainda hoje esse estereótipo continua. 
Todas as vezes que dizem estar exaltando a mulher negra, colocam fotos de mulheres de costas, focando apenas em nádegas avantajadas

A crítica não é baseada no puritanismo, (cada um exibe o que quer e não há problema nenhum nisso) e sim na DINÂMICA SOCIAL que continua a mesma.
As mulheres negras são vistas como seres sexuais incapazes de produzir conhecimento, e de liderar. E quando isso acontece, são frequentemente questionadas e invisibilizadas.
Tudo isso fruto da falsa superioridade racial da branquitude e do pensamento colonizador.
Mulher negra não é só bunda!
Ela é avó, mãe, irmã, filha e esposa.
É chefe de família, advogada, engenheira e médica.
É empreendedora, professora, enfermeira, atriz e cantora.
É chef de cozinha, atleta, escritora, maquiadora e artesã.

Ela é tudo isso e muito mais. Ela é o início. O ventre que fecunda desde o princípio.
Sarah Baartman não teve justiça em vida. Mas ela vive em cada mulher negra que possui consciência da história de seu povo e desafia o sistema todos os dias para manter os seus e a si própria em pé.


Reedição e adaptação do texto de Alessandra Eduardo

domingo, 4 de novembro de 2018

(ARTIGO DE OPINIÃO) ESCOLA SEM PARTIDO?

*Artigo de Magda Becker Soares - professora emérita da Faculdade de Educação da UFMG


Foto Foca (UFMG).

Discutir uma escola sem partido convoca evidenciar sua impossibilidade, e não só porque é mais uma tentativa de censura — neste caso, felizmente, das mais ineficazes, porque pretende calar aqueles cuja função, por atribuição da Constituição e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, é formar crianças e jovens para a cidadania, de que são princípios fundamentais a liberdade de expressão e o desenvolvimento da criticidade; é uma impossibilidade (uma ingenuidade?) porque se constrói sobre pressupostos que não se sutentam.

Escola sem partido: a expressão remete inevitavelmente a partido político, embora se venha negando que seja esta a intenção. Escola sem partido seria a escola incontaminada por partidos políticos? Por algum dos 35 partidos que, surpreendentemente, o país tem hoje? Acredita-se que cada um desses 35 partidos defende próprias e exclusivas convicções sociais, políticas, morais, religiosas — defende uma “ideologia” — , e pretenda impô-la às escolas? Impossível.

Por outro lado, se sem partido se refere a posicionamentos pessoais de professores — sociais, políticos, morais, religiosos (ideológicos?) — a falácia está em supor que o ser humano é capaz de se manter “neutro” em suas interações, sejam sociais, sejam, como pretende a escola sem partido, pedagógicas. A proibição de “doutrinação” comete o equívoco de julgar que as convicções de um ser humano, neste caso o professor, só se manifestam pela palavra: supõe-se que, proibindo a palavra, fica proibida a “doutrinação”. Um equívoco, porque não são só as palavras que expressam convicções, mas o ser humano como um todo, que, ainda que tenha a palavra proibida, revela-se por seu modo de agir, de decidir, por seus comportamentos; pode-se até tentar calar o professor, mas não se calam as mensagens que ele comunica por meios não verbais, mesmo se tenta “censurar-se”. Impossível.

Além disso, há na educação básica em nosso país, atualmente, mais de 2 milhões de professores. É possível transformar tantas centenas de professores em robôs que se limitem a repetir conteúdos? como se também conteúdos pudessem ser “neutros”: é possível falar de forma “neutra” da escravidão? do Holocausto? das guerras? do terrorismo? da miséria do mundo? é possível levar a literatura aos alunos sem os textos, os livros, pois estes nunca são “neutros”? Impossível.

E mais: serão os alunos, os quase 50 milhões de alunos das escolas brasileiras, os seres passivos que supõe a Escola sem Partido, a “audiência cativa” que se deixa facilmente influenciar pelos professores? O que dizer então da indisciplina, que tão frequentemente os professores enfrentam? o que dizer dos movimentos estudantis que invadem as ruas, que ocupam as escolas? Impossível.

Escola sem partido? Só como ficção. Felizmente.

NOTA: Magda Soares é uma das principais pesquisadoras brasileiras sobre o tema: Alfabetização e Letramento. 

*Artigo publicado originalmente pelo Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale) da UFMG

terça-feira, 30 de outubro de 2018

[HISTÓRIA] A DIVISÃO E A CONSTITUIÇÃO DA BARBÁRIE NO PAÍS DOS TAPUIA




É limitado o número de brasileiros e nordestinos que têm o conhecimento de que desde 1500, no início da colonização do território Pindorama (primeiro nome do Brasil), já havia uma divisão entre as etnias indígenas que viviam nas diversas regiões, em especial com o lugar que hoje denomina-se de Região Nordeste. Incluindo-se o momento em que os lusitanos chegaram à terra que compreendiam como parte das “Índias”, termo que indicava os territórios a serem conquistados pelo projeto de navegação dos europeus em crise econômica.

Arqueólogos e antropólogos, dentre os quais citam-se, respectivamente Valdeci dos Santos Júnior (2008) e João Pacheco Oliveira (2004), apontam que quando os portugueses chegaram ao Pindorama, existiam aproximadamente seis milhões de povos originários da terra. Estes falavam cerca de 600 línguas diversas em todo o território. Mas, na parte Nordeste, estavam situados os povos “tapuias”. Este termo é explicado por Pires (2002) como sendo definido pelos Tupi e significa “o selvagem”, o bárbaro, os inimigos contrários. Pode ser também identificado como o nome de uma das classificações dadas pelos portugueses para os povos ameríndios em dois grandes grupos: os Tapuia e os Tupi. Estes ocupavam os litorais e matas tropicais, aqueles os interiores e a caatinga.

Os historiadores, arqueólogos e antropólogos são consensuais em compreender que alguns Tapuia fugiram de outras regiões do Brasil onde a colonização chegara e os expulsara. Da mesma forma, já anteriormente aos europeus, esses grupos já haviam sido expulsos pelos Potiguara – que os empurraram do litoral para os interiores.

Em síntese, os Tapuia eram os povos que habitavam a região Nordeste do Pindorama, território que no ano de 1527 foi nomeado definitivamente como Brasil, após ter passado por uma sequência de mudanças de nomes. E um dos viajantes portugueses da época, Gabriel Soares de Souza, deixa isso muito bem assinalado em um de seus registros, chamado de Tratado Descritivo do Brasil, escrito em 1587, quando menciona que os Aimoré tinham origem em outros gentios que eram chamados de “tapuias”.

As línguas faladas pelos povos Tapuia foi o primeiro motivo de separação deste povo dos indígenas brasileiros das outras regiões, além de serem também mais selvagens, dotados de valentia mais intensa, tanto que foram chamados de bárbaros, embora, estudiosos atuais tenham explicações pertinentes para não os conceber como povos bárbaros.

Segundo Santos Júnior (2008), os troncos linguísticos falados pelos Tapuia do sertão do Nordeste eram quatro: o Tupi, o Macro-Jê, o Aruaque e um grande grupo de línguas consideradas independentes, atualmente classificada como Tarairiú. Os que viviam no litoral falavam línguas do tronco tupi e habitavam toda a costa litorânea que na atualidade se situa desde São Paulo até o Ceará. Os “guaranis” se situavam desde onde hoje se tem a costa paulista até o Rio Grande do Sul.

Esse povo tupi foi, segundo Oliveira e Freire (2006), os primeiros a terem contatos com os europeus, por viverem no litoral, também foram os primeiros a serem submetidos aos valores cristãos, aos códigos e linguagens do colonizador e à ruptura de seus aspectos culturais. Já os Tapuia, povos que eles denominavam de “bárbaros” e de língua de difícil compreensão, passaram por esse processo bem mais tarde, e de forma distinta. Putoni (2002) afirma que a política indigenista do índio do Nordeste foi totalmente diferente da dos povos Potiguara.

Sendo os Tapuia índios do interior; habitavam desde a margem oeste do Rio São Francisco, que agora é chamada de Bahia, até os sertões de vários outros estados nordestinos.

A pesquisa de Santos Júnior (2008) esclarece que a compreensão de que o Tapuia é uma denominação étnica, mesmo não sendo considerado etnônimo, é construída ao longo do século XVII, quando surge a noção de sertão como espaço imaginário. Foi um termo que recebeu várias grafias, desde a mais antiga à mais moderna: Tapuyos, Tapuhias, Tapuzas, Tapyyia, Tapuya, Tapuy ou Tapoyer, que hoje é Tapuia. Percebe-se que as diferenças que separam o “tupi” do “tapuia” parecem ser mais voltadas para o campo linguístico do que mesmo para o aspecto que demarca a identidade étnica no passado.

Mas, foi isso que determinou a presença do povo Tapuia aqui no sertão nordestino, lugar que Putoni (2002) define de forma muito clara como o País dos Tapuia. Isto porque todo o território do sertão era habitado por esses autóctones. Eles viviam de caça e mudavam frequentemente de lugar, procurando os melhores ambientes para a sobrevivência.
Os aspectos físicos também eram diferentes dos que tinham os outros índios brasileiros.

Os Tapuias possuíam semblante ameaçador, corriam iguais às feras, por isso eram muito temidos. Eram inconstantes, fáceis de serem levados a fazer o mal. Eram fortes, carregavam nos ombros grandes pesos. Ao irem para guerra, marchavam em silêncio, mas no embate faziam bastante alarido, jogando setas envenenadas das quais os feridos jamais escapavam (SILVA; PUFF, 2013, p. 1898).

Lopes (2003) complementa dizendo que são homens e mulheres de corpo robusto, de ossos fortes e cabeça grande, de cor da pele atrigueirada e cabelos pretos que parece-lhes trazer um boné na cabeça. Mas, eram vistos pelos colonizadores de forma mais fortemente animalizada do que os outros povos do Brasil.
Quanto aos costumes e culturas, Lopes (2003) descreve que o povo Tapuia seguia a mesma tradição dos demais indígenas das outras regiões do Brasil. “Todos, inclusive as crianças, costumavam pintar o corpo, utilizando-se de uma tinta preta, extraída do jenipapo, e vermelha, do urucu. Andavam nus, porém, com as genitais cobertas” (LOPES, 2003, p. 278). Eles também usavam enfeites com perfurações nas orelhas, nariz, bochechas e artefatos de penas de aves.
Segundo Macedo (2004), estudos contemporâneos indicam a existência de três grupos culturais distintos aqui no Nordeste, denominado o lugar dos Tapuia: os Cariri, os Tarairiu e os Jê, além de outros grupos isolados que não foram classificados.
Pode-se fazer relação bastante estreita das discriminações que são direcionadas ao nosso povo nordestino desde a colonização até a atualidade, como base nas origens coloniais. Putoni (2002) enfatiza que é muito pertinente registar e analisar o princípio que afeta todo o processo de divisão dos indígenas do Brasil, entre os das outras regiões e os do Nordeste. Segundo esse autor de um estudo sobre a Guerra dos Bárbaros, os Tapuia, não somente foram concebidos como selvagens por serem sertanejos e muito menos pelas características físicas e culturas que eram diferentes.

O ponto principal foi a RESISTÊNCIA às alianças com os europeus quando estes queriam ampliar os territórios para fins de exploração e os índios não aceitavam. A resistência desses autóctones teve como consequência o corte nas legislações e na política indigenista e os intensos massacres que mataram uma quantidade enorme de índios nos séculos XVII e XVIII.

De forma clara, Putoni (2002) cita que muitos Tupi se tornaram vassalos, eles aceitavam fácil o domínio português; os Tapuia resistiam e por isso estavam sujeitos a perseguições, massacres e fugas e mortes. A divisão indígena entre os Tupi e os Tapuia causou uma bipolaridade na legislação portuguesa: os índios de outras regiões eram coparticipantes do processo, enquanto a política destinada ao Tapuia era de crueldade e extermínio.

Não há dúvidas de que a barbárie ao povo nordestino não está encravada em marcos históricos recentes, mas, faz parte de um processo longo e cruel. A a luta por um lugar no espaço pelo nordestino é o que comprova a resistência de quem hoje se autoafirma como indígena do Nordeste, pois resistir faz parte do passado e do presente como forma de se dizer NÃO A BARBÁRIE desses povos!


Por Mônica Freitas



BIBLIOGRAFIA BÁSICA



FREITAS, M. M. Relatos sobre o massacre de 70 índios na serra de Portalegre/RN: argumentação em discursos de liderança indígena e alunos do ensino fundamental. Pau dos Ferros, 2018, 297 fls. Dissertação (Mestrado Profissional em Letras em rede nacional). Programa de Pós-Graduação em Letras, Campus Avançado Profª. Maria Elisa de Albuquerque Maia, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. 

LOPES, F. M. Índios, colonos e missionários na colonização da Capitania do Rio Grande do Norte. Natal/RN: Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, 2003.

MACEDO, H. A. M. Vivências índias, mundos mestiços: relacionamentos interétncos na freguesia da gloriosa santa Ana do Seridó entre o final do século XVIII e início do século XX. Monografia (Conclusão do Curso de História). Caicó: UFRN, 2002.

OLIVEIRA; J. P.; FREIRE, C. A. R. A Presença Indígena na Formação do Brasil. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade; LACED/Museu Nacional, 2006.

OLIVEIRA, J. P. (org). A viagem de volta: etnicidade, política e reelaboração cultural no Nordeste indígena. 2 ed. Rio de Janeiro: Contra Capa – LACED, 2004.

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